domingo, 20 de abril de 2008





História do 1° de maio
1886 - 1º de Maio
A cidade de Chicago, nos EUA, viveu uma manhã nervosa no dia 1º de maio de 1886, com milhares de trabalhadores nas ruas. Os episódios que ocorreram durante aquele dia marcaram para sempre consciências e corações dos trabalhadores em todo o mundo.
No chão da fábrica
Condições indecentes de trabalho, salários miseráveis, jornadas desumanas e exploração do trabalho infantil caracterizavam a vida nas fábricas norte-americanas em meados do século 19, repetindo o "modelo" de relações sociais vigente na fase inicial do capitalismo inglês. A jornada de trabalho, superior a 12 horas diárias, era imposta à margem da lei sancionada pelo presidente Lindon Johnson, sucessor de Abraham Lincoln.
As condições de vida eram péssimas e o salário - na melhor tradição do liberalismo - mal dava para reproduzir a mão-de-obra ou para satisfazer as necessidades elementares da família operária, razão pela qual os trabalhadores viam-se na contingência de encaminhar os filhos, ainda aos 7, 8 ou 9 anos de idade, para o trabalho duro em jornadas extenuantes, sacrificando o lazer e a educação.
As incipientes organizações operárias passaram a reivindicar dos patrões o respeito à lei, o fim do trabalho infantil e, principalmente, a redução da jornada para oito horas diárias e quatro horas aos domingos. Os patrões, irredutíveis, só aceitavam discutir a reivindicação se os estes aceitassem uma redução de 50% em seus salários. Não parece um argumento familiar à "modernidade"?
É greve
Além da atitude reacionário dos patrões, havia uma forte repressão policial contra qualquer iniciativa orientada pelo objetivo de organizar e mobilizar os trabalhadores em defesa dos seus direitos e interesses.
Apesar do ambiente hostil foi criada, nos Estados Unidos, em 1885, a Federação dos Grêmios e Sindicatos Operários, obra de lideranças operárias inspiradas por idéias anarquistas e socialistas. Sua primeira resolução foi convocar uma greve geral em todo o país para o dia 1º de maio de 1886. Dito e feito: a greve eclodiu com força no dia 1º de maio de 1886. Em diversas cidades dos EUA a paralisação, temperada com comícios, transcorria normalmente..
Massacre em Chicago
A adesão à proposta da federação foi massiva. Os 350 mil operários das fábricas de Chicago cruzaram os braços.. Aparentemente surpreendidos patrões e governo deixaram que o movimento transcorresse pacificamente. Mas no dia seguinte, domingo, a polícia entrou em choque com os grevistas numa pequena cidade vizinha de Chicago, deixando um saldo de nove mortos. Na segunda-feira, mais quatro operários em greve foram assassinados. Em resposta, um dos líderes da greve, o anarquista August Spies, convocou para o dia seguinte, dia 4 de maio, um ato público contra a repressão policial na Praça do Mercado de Feno, centro de Chicago. Às 16 horas, quando o último orador, Samuel Fielden, iniciava seu discurso, o chefe de polícia exigiu que ele descesse do palanque. Enquanto discutiam, uma bomba explodiu no meio da multidão. Um policial morreu e a polícia revidou, abrindo fogo e provocando a tragédia: 80 operários foram assassinados no massacre de Chicago.
Prisões e mortes
Na seqüência, a polícia de Chicago promoveu a caça aos dirigentes da greve. August Spies, Albert Patsons, Adolph Fisher, George Engel, Luís Lingg, Miguel Schwab, Oscar Neebe e Samuel Fielden foram presos. Um processo injusto e irregular foi aberto no dia seguinte, encerrando-se em outubro de 1887, com a condenação de cinco líderes à morte e outros três à prisão perpétua. Quatro foram enforcados no dia 11 de novembro de 1887 e um assassinado na prisão. São os mártires de Chicago.
Acuados pela onda de indignação que se alastrou mundo afora, as autoridades anularam o julgamento e um novo júri foi instalado em 1888 para reavaliar o caso. Acabou reconhecendo a inocência dos réus, determinou a libertação dos três outros líderes e condenou o Estado.
Dia Internacional do Trabalho
Dois anos mais tarde, no dia 14 de julho de 1889, durante as celebrações do primeiro centenário da Queda da Bastilha, o Congresso Operário Internacional, reunido em Paris, França, decidiu proclamar o 1º de Maio como "Dia Internacional do Trabalho", em homenagem aos operários mortos em Chicago. A partir daquele ano, em todo dia 1º de maio haveria manifestações, reuniões e desfiles nos quatro cantos do mundo.
Em 1890 a jornada de 8 horas diárias foi instituída nos EUA e, posteriormente, transformou-se em realidade noutros países.
Dia Internacional dos Trabalhadores
Criada em 1919, a Terceira Internacional Comunista recoloca o 1º de Maio novamente em pauta, reforçando-o agora como "Dia Internacional dos Trabalhadores". No entanto, , os governos burgueses, sobretudo o governo fascista da Itália, procuram se apropriar da data, deturpar seu significado e transformar o 1º de Maio num feriado festivo, com comemoração oficial, muita festa, shows, bingos e pic-nic, insistindo em caracterizá-lo como o Dia do Trabalho.

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